terça-feira, 21 de outubro de 2008

Sabia que Cecília Meireles recebeu o Prémio Machado de Assis?

Cecília Meireles (1901-1964)


Sabia que a escritora brasileira Cecília Meireles recebeu
post mortem o Prémio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras em 1965 pelo conjunto da sua obra?

Nascida a 7 de Novembro de 1901, Cecília Meireles foi uma personagem polémica na sociedade brasileira, rompendo com todos os tabus ao defender uma política menos casuística e uma educação moderna nos anos 30.

Segundo Valéria Lamego, é através dos artigos sobre política, educação e cultura desta escritora que se vê a sua outra face, considerada de musa diáfana, fluida e etérea da literatura brasileira. Sinónimo de ilha e isolamento, a escritora cuja poesia não estava "inserida no drama colectivo da sua geração, deixou as suas marcas como defensora da ideia universal de democracia, num período em que a incoerência e as paixões pelo autoritarismo arrastaram jovens intelectuais".

Órfã de tenra idade, Cecília Meireles, para além de poetisa, foi também professora, pedagoga e jornalista. Como poetisa foi altamente personalista, frequentemente simples na forma mas contendo imagens e simbolismos complexos. Embora tenha vivido sob a influência do Modernismo, apresenta na sua escrita técnicas do classicismo, gongorismo, romantismo, parnasianismo, realismo e surrealismo, sendo esta a principal razão da sua poesia ser considerada intemporal.

Escreveu também em prosa, dedicando-se a assuntos pedagógicos e folclóricos. A sua prosa lírica tem como temáticas a sua infância, as suas viagens e crónicas circunstanciais.

Para além do Prémio Machado de Assis, Cecília Meireles recebeu em vida o Prémio Poesia também da Academia Brasileira de Letras (1938). Em 1952, recebeu o Grau de Oficial da Ordem do Mérito no Chile e no ano seguinte, quando participou no Simpósio sobre a obra de Gandhi na Índia, foi condecorada com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Deli.

Mais pormenores sobre a obra e vida desta poetisa brasileira irão ser trocados e discutidos na próxima Roda de Leitura na Biblioteca Pública de Évora com o leitor-guia Fábio Mário Silva, no próximo dia 23 de Outubro às 21h30. Até lá fique com um poema:


Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Sabia que...

Desde que o Serviço de Empréstimo iniciou a sua actividade o livro mais requisitado foi A vinda dos Romanos.

Esta obra, que faz parte da colecção "A nossa história", tem o texto e ilustrações da autoria de Crisóstomo Alberto. É um pequeno livro infantil que conta a forma como os Romanos ocuparam a Península Ibérica. Desta colecção, encontram-se outros exemplares na Biblioteca como Os Pré-Históricos, Os Habitantes dos Castros ou Os Bárbaros e os Mouros.

Porém, na área da Literatura a obra mais requisitada foi Laços que Perduram de Nicholas Sparks e o livro científico mais solicitado foi Didáctica da Educação Infantil de Miguel A. Zabalza.

Cotas BPE:

A vinda dos Romanos, Crisóstomo Alberto - I 94 ALB
Laços que perduram, Nicholas Sparks - 821.111(73) SAP/LAC
Didáctica da Educação Infantil, Miguel A. Zabalza - 37.02 ZAB/DID

Sabia que...

A partir de Outubro de 2005 a Biblioteca Pública de Évora colocou em funcionamento o primeiro catálogo informatizado online. Também no mesmo mês foi inaugurado o Serviço de Empréstimo Domiciliário.

Este novo serviço de empréstimo dispõe ao público mais de 33 mil títulos. Cada leitor individual pode requisitar um total de 13 livros, em que podem ser 5 de ficção, 3 científicos e 5 infanto-juvenis. O leitor pode requisitar as obras durante 15 dias, renovável por mais dois períodos iguais.

O leitor colectivo pode requisitar 30 livros infato-juvenis, 10 científicos e 20 de ficção por um período de 30 dias, renovável por mais dois períodos iguais.

Sabia que...

O Arquivo Distrital de Évora já esteve anexo à Biblioteca Pública de Évora.

A partir de 1916 a Biblioteca passou a designar-se Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Évora. Para acomodação dos fundos documentais o Convento dos Lóios foi expropriado e uma parte foi integrada na BPE.

Em 1962 o Arquivo Distrital foi retirado do Convento dos Lóios e instalado no edifício que pertenceu aos jesuítas e onde funcionavam as oficinas da Casa Pia. Actualmente este edifício pertence à Universidade de Évora.

Com o Decreto-Lei 60/97 de 1997, a BPE separou-se do Arquivo Distrital de Évora.

Sabia que...

Em Julho de 1808 as tropas francesas invadiram a cidade de Évora e saquearam grande parte do vasto tesouro de documentos, moedas e medalhas que Fr. Manuel do Cenáculo possuía.

As invasões francesas levaram à perda de parte do espólio que Frei Manuel do Cenáculo reunira para a Biblioteca e Museu Natural. Apesar dos invasores ficarem estupefactos com a quantidade de livros reunidos, o que pretendiam era dinheiro. O facto de não terem encontrado muitas moedas fê-los revoltarem-se e destruírem parte do espólio da Biblioteca e dos produtos naturais do Museu.

Frei Manuel do Cenáculo deixou registo do vandalismo deste saque. O testemunho veio a ser publicado por António Francisco Barata, em 1887. Este também publicou números relativos às baixas e à quantidade de soldados de defesa e ataque na cidade de Évora. Estes dados também se encontram no Diário de Frei Manuel do Cenáculo.

Sabia que...

Originariamente o edifício da BPE foi construído para ser o Colégio dos Moços do Coro da Sé pelo Governador do Arcebispado D. Fr. Luiz de Sousa, bispo do Porto.

O edifício foi inaugurado em 1666. Contudo, as obras do actual edifício da BPE foram iniciadas em 1656 sobre os restos do antigo Castelo e das dependências da Catedral que ali tinha estado alojada, enquanto as obras do monumento decorriam.

O Paço Arquiepiscopal (actual Museu de Évora) e o Colégio dos meninos do Coro estavam interligados por um corredor passadiço). Este corredor foi fechado em 1883.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Sabia que...

A Biblioteca Pública de Évora foi inaugurada em 1805 por Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas com uma valiosa colecção bibliográfica de cerca de 50 mil volumes.

Ao longo dos anos o fundo primordial foi incrementado com doações e aquisições, assim como com a incorporação dos fundos pertencentes a conventos extintos.

Actualmente a BPE contém 664 incunábulos, 6 445 livros impressos do século XVI, mais de 20 000 títulos de publicações periódicas, para além de vários núcleos de documentos manuscritos, cartografia e música impressa. A contribuir para esta riqueza documental e abrangência bibliográfica, a partir de 1931, a BPE passou a ser beneficiária do Depósito Legal, crescendo as suas colecções para mais de 612 mil volumes.

As colecções patrimoniais da BPE são importantes fontes para estudos de diversos campos científicos. Prova disso são as muitas publicações nos diversos campos de História, estudos Museológicos, Antropologia, Literatura, entre outros.